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Cultura: Tudo se transforma

lixoextraordinario“Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” As possibilidades do famoso enunciado do químico Antoine Lavoisier ganham significado frente à realidade de Jardim Gramacho, bairro da cidade de Duque de Caxias, no Estado do Rio de Janeiro – onde se localiza o maior aterro sanitário da América Latina. De lá, mais de cinco mil pessoas tiram seu sustento diário, procurando, em meio ao lixo, qualquer coisa que possa ser vendida, reutilizada, reciclada. Quem acreditaria que dali poderia se extrair qualquer coisa a não ser miséria?

Os cineastas João Jardim, Karen Harley e Lucy Walker acreditaram quando o artista plástico Vik Muniz lhes disse isso. Antes, o próprio Vik acreditara na capacidade de as pessoas de Gramacho produzirem arte a partir do lixo. Sebastião Carlos dos Santos, presidente da Associação dos Catadores do Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, também acreditou em Vik. Dessa cadeia de crenças, nasceu o documentário Lixo Extraordinário, que registra o trabalho que o artista desenvolveu com os catadores do aterro. Ao longo de quase três anos, usando dejetos como matéria-prima, Vik e os moradores de Gramacho recriaram o cotidiano do lixão como arte, em fotografias, pinturas e painéis. No processo, Sebastião, o popular Tião, e seus colegas redescobriram sua dignidade e a própria existência de um mundo além dos limites dos 1,5 milhão de metros quadrados do Aterro. O filme resultante não apenas concorreu ao Oscar de Melhor Documentário em 2011, como levou prêmios concedidos pelo público nos festivais de Sundance (EUA) e Berlim (Alemanha).

“Eu esperava ver pessoas destruídas, mas eles eram sobreviventes”, afirmou Vik Muniz sobre seu contato com os catadores. Da ideia original (retratar as pessoas que  sobrevivem do lixão), o trabalho evoluiu para uma colaboração entre o consagrado artista brasileiro radicado em Nova York e os humildes trabalhadores de Gramacho.Vik colaborou com pessoas cujas famílias estavam há três gerações catando lixo no Aterro. O ápice da narrativa é justamente a venda do quadro no qual o artista colocou Tião para posar numa banheira – evocando a morte do revolucionário Jean-Paul Marat (1743-1793), assassinado na Revolução Francesa, durante o banho. Em Londres, a obra foi vendida por R$ 74 mil, dinheiro revertido para  a Associação dos Catadores. Antes da cena da venda, conhecemos as histórias de gente como Zumbi (que montou uma biblioteca com os livros encontrados no lixo) e Irma (que cria pratos com os alimentos aproveitáveis que consegue achar). “O momento em que uma coisa se transforma em outra é o momento mais bonito. E isso se aplica a tudo”, resumiu Vik.

A Petrobras também acreditou nessa história de transformação. E, por meio de sua Seleção Pública de Difusão, projeto de patrocínio voltado para a distribuição de filmes nacionais, ajudou Lixo Extraordinário a chegar a festivais e ao circuito comercial (o longa estreou em janeiro). “Damos apoio financeiro para a produção de cópias e para campanhas de divulgação”, explica Romildo Nascimento, coordenador de Patrocínio de Cinema da Petrobras. O trabalho desenvolvido por Vik Muniz com os catadores também influiu no aval. “Além da qualidade artística do documentário, a ideia de resgate social promovida pelo filme aborda áreas que são muito caras à Companhia. E a presença de Vik, um grande artista brasileiro de projeção mundial, ajuda a chamar a atenção para o projeto.”

 

lixo extraordinario 2Coisa de cinema

Por meio do “Programa Petrobras Cultural”, que lança periodicamente editais para produção e difusão de curtas e longas-metragens e para patrocínio de mostras e festivais, a empresa é a maior apoiadora do cinema brasileiro. “Nosso incentivo é abrangente: vai desde o apoio à produção até o patrocínio de restaurações de filmes clássicos, passando pelo fomento de centros de estudo, como a Escola de Cinema Darcy Ribeiro (no Rio de Janeiro) e a Escola de Cinema de Nova Iguaçu (Estado do Rio  de Janeiro)”, diz Romildo Nascimento. Desde 1994, ano da chamada retomada do cinema nacional, a Petrobras já contribuiu para a produção de mais de 500 longas, incluindo sucessos como Se Eu Fosse Você (de Daniel Filho, 2006), Tropa de Elite (de José Padilha, 2007) e Meu Nome Não é Johnny (de Mauro Lima, 2008). Entre os próximos lançamentos chancelados pela Companhia estão Bróder (de Jefferson De), Não se Pode Viver Sem Amor (de Jorge Durán) e Não se Preocupe, que Nada Vai Dar Certo (de Hugo Carvana).

 

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