Magazine

Conteúdos Petrobras Magazine

Você pode acessar os conteúdos que desejar acessando estas tags!

Você também pode digitar as tags logo após o endereço da Petrobras no seu navegador.

Volta ao mundo: Peru

perupost“Por este lado se va a Panamá, a ser pobres, por este otro al Perú, a ser ricos; escoja el que fuere buen castellano lo que más bien le estuviere”, disse em 1526 o espanhol Francisco Pizarro, ao traçar uma linha no chão com sua espada. De um lado, rumo ao Norte, a incerteza dos tempos duros; seguindo para o Sul, o território que hoje é a República do Peru. O folclórico episódio, registrado pelo historiador José Antonio del Busto em Francisco Pizarro, el Marqués Gobernador (1966), bem pode ser o marco simbólico da nação, berço da civilização inca e que hoje abriga uma população multiétnica, uma grande variedade de riquezas minerais e uma biodiversidade pujante. E onde a confluência de culturas (andina, espanhola, africana) criou uma terra cheia de contrastes interessantes, que vem experimentando notável crescimento econômico neste terceiro milênio.

A força das tradições seculares se reflete na quantidade de sítios arqueológicos do país reconhecidos pela Unesco como Patrimônios Mundiais – são 13 (o Brasil, cujo território é quase sete vezes mais extenso que o peruano, tem 17). Os centros históricos das duas maiores cidades do país (a capital Lima e Arequipa) estão na lista, assim como as míticas ruínas de Macchu Picchu e as construções incas que restam em Cusco. O legado dos incas espalha-se pelos cerca de cem mil sítios arqueológicos catalogados oficialmente no país. Oitenta por cento dos turistas que chegam ao Peru estão em busca desse legado cultural; nada menos que 11% da população economicamente ativa do país trabalham com o turismo.

O (cordial) embate entre passado colonial e presente global acentua-se em direção ao Sudeste do país, onde se encontra Cusco. A cidade, que já foi chamada de “a Roma das Américas”, é, de acordo com historiadores, o mais antigo aglomerado urbano de todo o continente, tendo servido como capital do império inca a partir do século 13. É, oficialmente, a capital histórica do Peru e o maior destino turístico do país, recebendo mais de um milhão de visitantes por ano. O patrimônio arquitetônico, no qual se misturam construções pré-colombianas e prédios da época colonial, é expressivo. A catedral da cidade, com sua fachada em estilo renascentista, data de 1664. O convento e a igreja de La Merced estão lá desde 1675 (a construção original foi destruída por um terremoto, em 1650). A Plaza de Armas, centro nervoso da cidade atual, concentra em seu redor vários prédios que tiveram suas fachadas e telhados de influência espanhola preservados. É possível chegar lá pela Calle Hatun Rumiyuq, a principal via de pedestres de Cusco, também ladeada por construções com três séculos de história. Como ponto culminante da região, sobressaem as muralhas de Coricancha, ou o que sobrou do maior santuário inca, cujos muros foram usados pelos colonizadores europeus para construir o Convento de Santo Domingo.

Na província de Urubamba, arredores de Cusco, encontra-se o mais antológico cartão-postal do país, a Montanha Velha – tradução literal do termo quéchua Machu Picchu. Erguida a partir do século 15 na porção oriental da Cordilheira dos Andes, a cidadela de pedra, uma das maiores provas da engenhosidade e dos recursos arquitetônicos dos incas, é hoje considerada uma das sete novas maravilhas do mundo. Espalhadas por uma área total de cerca de 326 km², as ruínas de Machu Picchu são envoltas em uma aura de mistério, de tempo suspenso. É como se pudéssemos capturar um pouco da América original, intocada pelos conquistadores espanhóis. A área “urbana” da cidadela tem 172 edifícios e inclui o Templo do Sol (onde, acredita-se, um dia esteve sepultado o imperador Pachacuti), a residência real inca e a chamada “zona sagrada”, que inclui o Templo Principal, maior espaço religioso da cidade. A idolatria que os antigos habitantes devotavam ao sol está presente na estrutura conhecida como Intihuatana, espécie primitiva de relógio solar, e também na disposição de vários dos edifícios, orientada pelos solstícios e pelo nascer e o pôr do sol.

A capital, Lima, é uma das maiores metrópoles da América Latina, com seus 7,6 milhões de habitantes. Em meio ao burburinho urbano, porém, esconde-se uma bem preservada porção da América colonial espanhola, devidamente reconhecida como Patrimônio Histórico em 1991. Há cerca de 20 anos, Lima vem mantendo um programa de restauração e proteção das construções históricas. O exemplo mais evidente são os balcones (balcões), espécies de varandas típicas das construções influenciadas pela arquitetura espanhola e que foram introduzidas na cidade no século 16. Hoje ainda restam cerca de 1.800 balcones intactos, que são mantidos graças a convênios de patrocínio mantidos pela Prefeitura de Lima junto a grandes empresas. Assim como mantém-se preservada a Plaza Mayor, palco de alguns dos mais significativos acontecimentos da história peruana: foi lá que Pizarro se instalou para fundar a cidade, e foi lá (em 1831) que foi declarada a independência do Peru em relação ao domínio espanhol. A fé católica trazida pelos conquistadores espanhóis se reflete no Convento de San Francisco (primeiro dos prédios coloniais a ser tombado pela Unesco, em 1988) e na Catedral de Lima (datada de 1622). Não longe dali, brilha a Casona de San Marcos – o centro cultural da Universidade de San Marcos, que concentra museus (o Museo de Arte e o Museo de Arqueologia y Antropología), a Biblioteca España de las Artes e vários institutos universitários, todos situados em edifícios históricos. Ao mesmo tempo em que busca preservar sua história, Lima exibe um dos mais exuberantes processos de modernização do continente. Fundada em janeiro de 1535, a capital do Peru é a 27ª cidade mais densamente povoada do mundo. Sua região metropolitana concentra 57% do parque industrial do país e 46 universidades (incluindo a já citada San Marcos, a mais antiga da América Latina, inaugurada em 1551). Bairros como Miraflores e San Isidro são tão movimentados e cosmopolitas quanto qualquer vizinhança de São Paulo ou de Manhattan.

A predição de Pizarro, que garantia riquezas a quem o acompanhasse rumo ao Peru, parece fazer mais sentido nos últimos anos. Nos quase 180 anos de independência do país, foram várias as turbulências políticas e econômicas enfrentadas: de uma guerra (perdida) com o Chile entre 1879 e 1883 a golpes militares no século 20. Na década de 1980, a nação sofreu com inflação descontrolada e o crescimento do tráfico de drogas. Com a consolidação da redemocratização, a partir da virada do século, o Peru vem experimentando estabilidade econômica (tem uma das inflações mais baixas do mundo) e um crescimento da produção notável: o aumento do PIB em 2008 chegou a 9%, taxa comparável às da China.

 

Panculturalismo

Quarto país mais populoso da América do Sul (cerca de 28,3 milhões de habitantes), o Peru cresceu com a miscigenação entre os habitantes nativos e os colonizadores espanhóis. A nação também recebeu grande influxo de africanos, imigrantes de outros países da Europa (Alemanha, Inglaterra, Itália, França) e do extremo Oriente (Japão e China).

Esplendor pré-colombiano

Há indícios de que a região na qual se ergue hoje a cidade de Cusco já era habitada no ano 3000 a.C. Mas a importância da cidade cresceu quando a sede do governo inca foi instalada lá, tornando Cusco o mais importante centro religioso e administrativo da América Latina. Grande parte da população pertencia à aristocracia inca. Francisco Pizarro nomeou-a “Cuzco, ciudad noble y grande”.

Matriz energética

Os combustíveis de origem fóssil (com destaque para o óleo diesel) garantem cerca de 57% da energia utilizada pelos peruanos. As fontes renováveis (hídricas, biocombustíveis e outras) ocupam 27% da matriz energética do país. O gás natural fornece o restante (17%). Um amplo projeto de exploração e distribuição de gás natural está em curso, incluindo gasodutos para venda ao mercado externo.

Talara, o X da questão

petrobrasperuA Petrobras Energía Perú S. A. – nome oficial da empresa do Sistema Petrobras que atua no país vizinho – iniciou suas atividades em 1996. Em 2010, foram investidos US$ 235 milhões em projetos de prospecção e exploração. hoje, a companhia extrai 15.300 barris de óleo de sua principal operação no Peru: o Lote X da Bacia de Talara, no  Noroeste da nação, no qual a Petrobras detém 100% de participação. Sobre o Lote 58, na Bacia Madre de Dios (perto das maiores reservas de gás natural do país, na região oriental da Cordilheira dos Andes), a empresa também tem 100% de controle. Pesquisas sobre os volumes de hidrocarbonetos disponíveis na região vão comprovar a viabilidade da perfuração de um terceiro poço (Taini) na região. A expectativa sobre as explorações a serem realizadas em Madre de Dios é alta, com o desenvolvimento do Proyecto Integrado de Desarrollo de Gas Natural (Projeto Integrado de Desenvolvimento de Gás Natural). No Lote 57, no qual a Petrobras tem participação de 46,16%, resultados favoráveis na avaliação dos recursos encontrados permitiram o planejamento de mais um poço na região de Ucayali (centro-leste do país). Ainda em fase de pré-exploração está o lote 117 (Marañon), onde a Petrobras tem participação de 50%. A empresa ainda desenvolve e apoia, no Peru, diversas iniciativas voltadas à melhoria da infraestrutura, à preservação do meio ambiente, à geração de emprego e à educação. Um exemplo é o apoio ao projeto Agua y Alcantarillado, concebido para melhorar o acesso da população do distrito de El Alto (em Talara) à água potável de qualidade.

 

COMO CHEGAR

O Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, é principal acesso ao De lá, há voos  regulares para as principais cidades do Peru. A Corporação Peruana dos Aeroportos e Aviação Comercial coloca o telefone 1-574-5829 à disposição dos viajantes para dúvidas. Informações turísticas podem ser consultadas no site.

 

DADOS HISTÓRICOS

A mais antiga civilização das Américas, o povo caral, ocupava o atual território do Peru  por volta de 2100 a.C. Em 1542 usou-se pela primeira vez o nome “Peru”, para designar a região que abrigava a sede do império inca. O Vice-Reino do Peru compreendia a maior parte dos domínios espanhóis no continente. O país decretou sua independência em 28 de julho de 1821.


Contador de páginas